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terça-feira, 23 de agosto de 2016

Jejum - Da Religiosida Para a Consciência da Graça de Deus

Muitas igrejas dizem não praticar a religiosidade, mas suas práticas dizem justamente o contrário. A religiosidade se manifesta quando os rituais são praticados sem nenhuma mudança real na vida das pessoas.

O povo judeu estava acostumado com a instituição da prática do jejum, pois estava no seu calendário religioso e no dia do jejum eles simplesmente iam cumprir o ritual, sem ter nenhuma mudança em suas vidas, ou seja, passavam fome.

No livro de Isaías, como vimos na postagem anterior, no capitulo 58, Deus falou por meio do profeta dizendo o seguinte: “Vocês querem fazer algo que realmente me agrade, então ajude os pobres, largue o pecado, pare de oprimir os inocentes, deixe de lado a violência, ande nos caminhos de Deus, então vocês verão as suas curas e Eu ouvirei as orações de vocês.”

Deus está mostrando que o ritual desacompanhado de arrependimento, de uma vida santa, de mudança de atitude, e de oração não tem valor para Ele.

O jejum como temos visto atualmente não é o jejum que agrada a Deus, pois o que vemos é a prática de deixar determinadas coisas e ir buscar os próprios interesses, sem nenhuma mudança de atitude.

A maioria dos líderes enxerga o jejum como um sacrifício a ser feito a Deus para que Ele então possa abençoar o adepto. Mas como diz um amigo: “Jejum não é sacrifício, é sacro-ofício, e é prazer!”


E foi por esse motivo que Jesus disse que ele deve ser praticado em secreto, pois fazê-lo em público é o caminho para a corrupção da devoção, pois vira show de santificação, como faziam os fariseus (Mateus  6.6).

O jejum deve ser a declaração da alma que em silêncio, na quietude do quarto, e em meditação entra em curtição na presença do ser de Deus.

Jejum não deve ser um sacrifício, e sim está carregado de amizade com Deus, de separar um tempo para gozar do amor de Deus num lugar que seja secreto, onde só você e Ele estão presentes. É esse jejum que faz falta. É esse tipo de jejum que quando voltar a ser praticado, poderá mudar muita coisa, pois mudará a alma do povo.

Um jejum discreto, apaixonado, silencioso e amante de Deus. Um jejum que enche o coração de gozo, que sensibiliza a alma, dando voluntariedade ao espírito. E desse jejum, aquele que o come, se alimenta de gratidão. Pois jejuar também é parte da Graça que nos é dada.

Ao nos entregarmos aos mecanismos de repetição de sacrifícios e barganhas, por mais ingênuos que possam parecer, significa que estamos tirando a validade do sacrifício eterno de Jesus, e isso significa que estamos caindo da Graça. 

Cai quem deixa a fé e a consciência da Graça de Deus.


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A Discrepância Dos Pregadores Atuais Em Relação Ao Jejum

Alguns pregadores adotaram a prática de ensinar aos seus seguidores a retirar de seus cardápios algum alimento de sua predileção por um breve período de tempo, quando não é o alimento, é alguma coisa que ele julga está escravizando seu seguidor. Como por exemplo, tirar o refrigerante, a televisão, o celular, a internet e outras coisas.

Biblicamente, o jejum é a abstinência total, e algumas vezes parcial, de alimentos para a dedicação à oração, exame da alma e a comunhão com Deus.

Às vezes era também usado como expressão de quebrantamento, de tristeza e de arrependimento diante de Deus.

No Velho Testamento havia dias específicos de jejum na religião dos judeus. Havia época de a nação inteira ficar de jejum dois ou três dias, onde o povo afligia a sua alma diante de Deus e se arrependiam de seus pecados. Renovando assim a sua aliança com Deus, e tendo como propósito o viver para Ele.

Ainda no Velho Testamento encontramos vários juízes, sacerdotes e reis chamando a nação, pedindo que jogassem fora os ídolos, pedindo que se arrependessem e voltassem para Deus. O jejum fazia parte da evidência do arrependimento e da dependência de Deus. 


Portanto o objetivo do jejum é mortificar a nossa carne, quebrar os nossos desejos, elevar o nosso espírito, e nos entristecer diante de Deus. Esse é o propósito do jejum, e no Velho Testamento era através da prática desse exercício que o povo se apresentava diante de Deus.

Mas como eu disse no início desse post, os pregadores atuais tem distorcido essa prática, fazendo da forma errada e pelo motivo errado. Prometendo coisas, que Jesus não prometeu, através do jejum, como se o jejum em si fosse uma coisa mística. Uma espécie de talismã ou garantia de benção. Fazendo Deus parecer um escravo do seu pedido.


Mas isso não é algo novo, pois já no Antigo Testamento, alguns já usavam erradamente o jejum. O que os pregadores atuais estão fazendo é copiar esses erros e repassar para os membros de suas igrejas.

O aprendemos nas Escrituras é que se o jejum for só ficar sem comer, não tem nenhum valor espiritual. Pois se o jejum não for acompanhamento de uma atitude correspondente, ele não tem valor algum. Não valerá absolutamente nada!

E quais são essas atitudes correspondentes? Nós já falamos sobre elas anteriormente. São elas: quebrantamento, arrependimento, confissão de pecado, humilhação diante de Deus, tempo de oração, e dedicação a Ele. Em outras palavras, é um tempo para se alimentar de Deus.

No livro de Isaías 58, o povo se chega a Deus perguntando por que ele não respondia, uma vez que eles estavam jejuando. Questionavam por que eles afligiam sua alma e Deus não levava em conta. Por que oravam e Deus não respondia. E ainda por que os inimigos estavam se aproximando e Deus permitia.

A resposta de Deus ao povo, através do profeta Isaías foi esta: “Será esse o jejum que escolhi, que apenas um dia o homem se humilhe, incline a cabeça como o junco e se deite sobre pano de saco e cinzas? É isso que vocês chamam jejum, um dia aceitável ao Senhor?” (Isaías 58.5).


 O que se tem ensinado atualmente é isso, ficar sem comer durante alguns dias, se humilhe durante algumas horas, e nada mais.

Mas Isaías diria ainda mais ao povo, ele disse: "O jejum que desejo não é este: soltar as correntes da injustiça, desatar as cordas do jugo, pôr em liberdade os oprimidos e romper todo jugo? Não é partilhar sua comida com o faminto, abrigar o pobre desamparado, vestir o nu que você encontrou, e não recusar ajuda ao próximo?” (Isaías 58.6,7).

Para encerrarmos por aqui, apesar de ter muita coisa ainda para serem ditas, mas para esse momento é o suficiente, Isaías diz mais um pouco por parte de Deus, ele diz: “Aí sim, a sua luz irromperá como a alvorada, e prontamente surgirá a sua cura; a sua retidão irá adiante de você, e a glória do Senhor estará na sua retaguarda. Aí sim, você clamará ao Senhor, e ele responderá; você gritará por socorro, e ele dirá: Aqui estou. "Se você eliminar do seu meio o jugo opressor, o dedo acusador e a falsidade do falar; se com renúncia própria você beneficiar os famintos e satisfizer o anseio dos aflitos, então a sua luz despontará nas trevas, e a sua noite será como o meio-dia. O Senhor o guiará constantemente; satisfará os seus desejos numa terra ressequida pelo sol e fortalecerá os seus ossos. Você será como um jardim bem regado, como uma fonte cujas águas nunca faltam.” (Isaías 58.8-11). 

O jejum não é algo para ser trocado com Deus para ser abençoado. Ele em si não tem poder algum. Mas, é uma prática de expressão de arrependimento e dependência de Deus, que logo depois é refletida na atitude com o próximo.

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